no excuses

sábado, 28 de agosto de 2010

tinto e seco

A gente percebe quando passou de uma fase
quando consegue olhar pro passado não remoto
e achar graça do que aconteceu.

Existem por aí meninas que vestem roupas limpas
comem, bebem e fumam e reclamam de suas vidas
de seus sentimentos, seus amores adolescentes
Acham racional se embriagarem e irracional amar alguém
prazeres irascíveis, ambos racionais.
depois se sentam em frente a máquinas e sentem prazer
sofrem e sentem prazer em frente as suas máquinas

eu vejo todo seu sofrimento
observo e absorvo. sinto um pouco desse gosto
quem ouve realmente não entende quando alguém diz
"um dia voce entenderá isso"

algum dia todos conseguirão ver algum encanto
Acho bela essa tristeza
A pungência da dor
A destruiçao do amor
O caos sentimental
versus o recomeço do amor próprio
ainda que com todo esse gosto de vinho.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

paz òn


Eu escutei tudo de uma vez
precisei de apenas uma vez para que eu entendesse tudo
eu entendi demais
e, insisti um pouco na idéia de que algo não estava sendo explicado.

pensei,
não é que as coisas não tenham sido explicadas claramente,
é que tem dias em que o sol simplesmente se esconde por detrás das nuvens..

depois disso
considerei mais
me preocupar com o tempo que se segue
e um tanto com o tempo que anda para trás.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

urggente


o mundo corroído.
os rabos dos isntantes, seus pedaços finais, se encostando e se ateando em fogo como quando o ferro em brasa esquenta e subitamente faísca ao encostar em palha seca. palhas secas. vidas inteiras, feridas ligeiras, indolores, desconhecidas, frescas. o diálogo de forte dialeto, fácil entendimento e difícil pontuação que, em matéria de numeração não deixa ninguém por menos. cada qual sabe o que faz sem contar o que está valendo quando vale dizer não. Não vale não (diz-se não, lê-se "não") separado assim óh, tem que ser "nãaaao" junto. a outra parte do que fica apenas vai e a descrição "continuamente" cabe de forma perfeita quando a ordem é por o poema-vida pra rodar, girar, virar, viver; que, na prosa pouco está para vida o que se tem a dizer e o que foi dito. o que foi dito, lido, reestruturado para a con-con-ti-tinuidade da vida está aqui apenas para a posteridade e memória da questão causa-efeito desse todo.
a causa está explícita.
e o efeito está para o fim como um próximo começo,
sem causa,
um mistério.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

a gosto


Dá pra ver pelos olhares
vontades, vantagens, maldades
tormentos, confiança, julgamento.
Dá pra ver pelos olhares que são só olhares
calados, vivos-mortos
que os olhares não precisam nomear
que as bocas não precisam maldizer
que os corpos estão a aceitar
a distancia nítida dos olhares atentos
confusos pelo tempo
libertos pelo setimento
descansados em pureza
de serem apenas olhares.
Nas entrelinhas dos olhares há uma voz doce que grita
e no seu berro torto,
ciente de verdades visíveis
descompassada há uma mensagem que diz
que nós já nascemos livres.